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Ter ou não ter carro, eis a questão
A estratégia de levantar recursos financeiros obtendo troco na troca de carros que está na moda, examinada na coluna da semana anterior, gerou alguma controvérsia em relação aos objetivos da decisão de vender um e logo comprar outro, ignorando que a teoria é uma coisa e a prática é outra coisa.
Vale examinar as razões práticas do “Comportamento do Consumidor” que recomendam a estratégia vigente num mercado que agora abertamente oferece essas condições em anúncios de agências vendedoras de automóveis.
Por conta das apresentações no "Fantástico", naturalmente formou-se o conceito de que todas as minhas recomendações para economizar seriam fruto de uma conduta mesquinha no trato cotidiano, típica de um pão duro mão-de-vaca que não abre a mão nem para dar propinas pedidas por políticos que oferecem vantagens.
Também não é nem o caso, já que não sendo empreiteiro não estou sujeito a essas práticas tão comuns no mercado (a ponto de serem motivos de chantagem entre os pares no Congresso) e estou longe de não saber aproveitar a vida: viajo bastante, sempre às minhas custas sem alugar jatinhos com o dinheiro do povo...
O fato é que, ao sempre recomendar uma estruturação de um Orçamento Familiar enxuto com posterior obediência aos seus limites de despesas previstos, a família não deve gastar mais do que ganha, sob pena de se endividar ao entrar no cheque especial e no rotativo do cartão de crédito, ou pior ainda, cair nas armadilhas das financeiras-de-beira-de-rua. Assim, se não economizar não vai sobrar para guardar numa poupança.
Para economizar têm-se todas as técnicas já conhecidas que funcionam se forem adotadas. E o objetivo não é levar a poupança para o túmulo ou para deixar de herança. No túmulo não vai adiantar nada, pois duvido que lá em cima no céu haja corrupção como aqui e no inferno não vão aceitar moedas terrenas que possam estar bloqueadas por investigações da Polícia Federal ou que ainda não estejam liberadas pela nossa justiça comprada. E deixar de herança para filhos é trocar uma harmonia estável entre irmãos por uma provável briga eterna. Para filhos tem que dar é educação!
É natural e saudável, então, que o objetivo da poupança amealhada à custa de uma constante atenção aos gastos desnecessários ou sem controle, seja o de usufruir no lazer em atividades que levem ao prazer para toda Família, a qual pode assim relaxar e gozar os benefícios de uma grana poupada com sacrifício e trabalho. Não se economiza se não houver trabalho e pesquisa de preços no sentido de manter cotidiana atenção aos gastos e às negociações nas compras.
Muito bem! E os carros com troco na troca aonde é que entram? Ora, na avaliação de que um automóvel é um gerador de despesas que costuma ser instrumento de prazer e conforto para toda a família, até proporcionando viagens que dispensam o caos aéreo. Assim, quando se recomenda vender um carro usado (que dá muito mais despesas que um novo) para pagar uma dívida se está abrindo mão do prazer que ele pode proporcionar.
Porém, ao comprar um carro novo (com garantias de manutenção com prazos cada vez maiores por causa da concorrência), se restabelece a condição de conforto e prazer. E ao trocar taxas de juros absurdamente altas de mais de 10% ao mês (213,8% ao ano), que realimentam a bola de neve em que se encontra o devedor por taxas razoáveis no entorno de 1% ao mês (12,7% ao ano), cessa o estresse financeiro.
Fazendo as contas para a simulação feita na semana passada, podemos avaliar que se a dívida pendente fosse igual ao valor obtido na troca, de R$ 11.000,00, custaria cerca de R$ 1.100,00 por mês só de juros, sem amortizar nada, enquanto que o financiamento de R$ 24.000,00 do novo seria pago em 36 parcelas mensais R$ 797,14 ou de R$ 632,01 para 48 meses! De qualquer modo será sempre bom lembrar que quanto menor o prazo escolhido tanto menor será a quantidade de reais pagos como juros.
“Hay” que tomar muito cuidado com os juros, ainda mais com os juros compostos. Já dizia Einstein: “A força mais poderosa do Universo não é a da gravidade, é a dos juros compostos!”
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Pagando dívidas com troco na troca
A melhor dica para fazer sobrar dinheiro nas contas familiares e para fazer o salário ser maior do que o mês é tratar de estruturar um Orçamento Doméstico bem feito de modo a não se gastar mais do que se ganha. Eis que nos dias de hoje, com uma inflação sobre controle, até o Governo já tem seu Orçamento Governamental e consegue fazer acontecer o tal do Superávit, que é o saldo positivo referente a uma Receita maior que a Despesa.
Não é lá muita vantagem de vez que o Governo gasta muito em despesas correntes supérfluas e não faz os investimentos estruturais que o país tanto precisa. E também que aumenta a receita criando cada vez mais impostos, mentindo que é para fins sociais ou para a Saúde. Enfim não é “mais pior”, já que de fato não tem mais déficit operacional...
Mas nem por isso suas contas estão “numa boa”, porque ele, governo, quer dizer, nós, devemos muito, pois nossa dívida pública passa de Um Trilhão de Reais. E como é dívida, custa juros, donde haja grana para pagar juros sobre R$ 1.100.000.000.000,00. Vai daí que não há superávit que chegue e a divida cresce igual rotativo de cartão de crédito quando só se paga o mínimo! (Confesso que tive enorme dificuldade em escrever esse número que tem mais zeros que a população chinesa!).
Nas contas familiares é a mesma coisa: embora se consiga equilibrar o orçamento, muitas vezes existe uma dívida rolando e aumentando cada vez mais. Só se sai dessa bola de neve sem ir à falência vendendo um bem ou arranjando um dinheiro bem barato para diminuir o chamado “custo da dívida”. Foi agora identificada uma maneira “maneira” de se endividar mais para diminuir o tal custo da dívida!
Daí, não é atoa que o mercado de automóveis novos está superaquecido: muita gente está correndo atrás de um carro novo para pagar dívidas! E como é a mágica? Bem, vamos mostrar facilmente com um exemplo simulado com números. Compro um carro zero de valor R$ 30.000,00 dando 20% de entrada (R$ 6.000,00) que será paga vendendo o meu carro usado para a Revendedora Autorizada, o qual foi avaliado em R$ 17.000,00. O saldo restante de 80% posso pagar em parcelas mensais que caibam no meu orçamento com juros de 1% ao mês ou menos, dependendo da promoção.
Fazendo as contas sobram R$ 11.000,00 na minha mão. (Em dinheiro vivo? Não! Não sou político, não preciso esconder nada, faço uma transferência bancária...). Pego essa grana que sobrou da transação (no bom sentido: transação real, com notas fiscais quentes, com carros que existem e sem a ajuda de lobistas) e pago minhas dívidas de cheques especiais e de rotativos de cartões de crédito, que têm juros escorchantes de mais de 10%/mês apesar da taxa Selic estar progressiva e felizmente caindo, agora no nível de 12% ao ano.
Nessa transação, em que não precisei pegar dinheiro emprestado com amigo, nem fui grampeado fazendo rachunchos escusos, fiz um grande negócio. Como hoje as taxas de aplicação estão bem mais baixas, as fábricas de automóveis, numa linda jogada de marketing estratégico, resolveram aplicar no financiamento de seus produtos. Assim, troquei juros de mais de 10%/mês por menos de 1%/mês, que são os juros subsidiados pelas fábricas para alavancar a venda de seus veículos.
Foi uma troca com vários trocos. Fiquei com um carro novo comprado com juros baixos e com garantia por um bom tempo, donde vai dar muito menos despesas de manutenção. No entanto, é preciso atenção a dois aspectos importantes em relação a valores. Devemos ficar de olho no preço do automóvel novo, que deve ser pesquisado entre várias ofertas de revendas autorizadas, bem como no preço do carro usado que, se não for bem avaliado dentro das condições de mercado, pode ser negociado com outros interessados que paguem melhor preço.
Assim, como sabemos das coisas, não somos ingênuos (como alguns membros do Executivo que insistem fisiológica e convenientemente em aceitar mentiras e histórias fantasiosas) e o nosso dinheiro é ganho à custa de trabalho duro (após 146 dias de tunga tributária) tratamos de nos defender como é possível, pagando nossas dívidas com esse nosso dinheiro sem nos mirarmos nos maus exemplos que vêm de cima.