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    Quanto custa um namoro

    O namoro tem várias idades e também várias épocas. Era comum a gente perguntar para os pequerruchos, querendo fazer graça, se eles já tinham namorados, no que sempre respondiam que “não!”. Nos dias de hoje, se bobear, eles dizem: “não, estamos só ficando”...

    Mas as coisas, nestas épocas, andam bem mais à frente que antigamente andavam. Ouvi estes dias a história de dois destes com menos de sete anos, em que o garoto (que provavelmente se chamava Joãozinho) disse que não queria mais namorar a menina porque ela “não sabia beijar de língua”! É o que dá ver tanta malhação e beijação na televisão...

    Bem, pelo menos naqueles relacionamentos precoces não havia despesas financeiras a serem discutidas ou partilhadas, coisa que hoje em dia tem que ser discutida a fundo. Também, quem mandou as mulheres quererem tanta igualdade? Antes não tinha tanto a discutir, o homem pagava tudo e pronto!

    Dependendo da fase do namoro, ou seja, se a relação passou da fase de ficante ou “affair”, as despesas passam a pesar no bolso. No início é o macho que banca tudo no seu processo de sedução (que foi aceito pela fêmea, que é quem decide, como sempre...). Às vezes, querendo demarcar o território visando o futuro da relação, logo nos primeiros encontros, a mulher se coloca à disposição para dividir, nunca para pagar tudo...

    Definido se a relação vai ser de ficante ou de namoro, as despesas precisam ser apuradas por meio da estruturação de um orçamento e examinadas com cuidado: restaurante, cinema, teatro, shows, motel, viagens, pedágios, gasolina, presentes. Se os parceiros forem independentes, morando sozinhos, logo é possível dormir um na casa do outro, economizando muito em motéis e refeições.

    Numa relação duradoura, ou numa decisão de morarem juntos, a coisa fica mais séria e o orçamento do “casal” precisa ser analisado com as despesas dos dois somadas e divididas para não criar uma dependência ou conveniência financeira entre os dois. Aí surge uma situação que não é difícil de ser resolvida: um ganha mais que o outro.

    Quando um ganha mais do que o outro, depois de estruturado o orçamento deve ser feito um cálculo dos rendimentos de cada um e somados. A partir daí, verifica-se a proporcionalidade dos ganhos e cada um fica responsável pela sua participação. Por exemplo: um ganha R$ 6.000,00 e o outro R$ 4.000,00, ou seja, no total dos rendimentos a participação é de 60% e 40%, donde as despesas devem ser divididas nessas proporções. O que sobrar cada um poupa ou gasta como quiser.

    No dia dos namorados devem ser evitados os supérfluos, como jóias (potencialmente roubáveis e que depois não valem quase nada, só o peso em ouro) ou programas exageradamente caros. O que vale é dar presentes úteis: eletrodomésticos, toalhas, lençóis, vales (de supermercados, de restaurantes, de revisões do carro), livros, cartuchos de computador, pilhas, baterias e outros acessórios de uso corrente.

    Apesar de todas essas instruções, lá vai uma informação importante para os ex-machões: apesar de toda a liberação feminina, dizem as pesquisas que 100% das mulheres, num primeiro encontro, acham de muito bom tom e muito cavalheiresco que os homens paguem integralmente a conta do restaurante, com direito a champagne e tudo.

    Outro recado: nestes tempos de ex-namoradas, ex-mulheres e ex-outras, acho bom os homens se precaverem em dobro, mesmo gastando em dobro com pílulas e preservativos, para evitar despesas pós-rompimentos. Há mensagens com a sabedoria de pára-choques de caminhões que vaticinam: ”Você ainda vai ter uma ex-mulher!”.

    Não é todo mundo que tem relações (nos dois sentidos) com lobistas de empreiteiras para depois pagar grandes pensões, às escondidas, em dinheiro vivo. Já pensou o trabalho que dá para retirar grana no caixa do banco todo mês, avisando de véspera, e o tempo que se gasta em fila? E entregar pessoalmente, todo mês, à “ex” de outro? Esse lobista teria que ser mesmo “mui amigo”...

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