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Intimidade com as commodities
Já teve coluna acordando todo mundo que esqueceu que a História se repete. Só não se repete para quem nasceu agora e por isso os cabelos brancos têm algum valor, visto que os cabelos brancos não valem lá muita coisa além da experiência adquirida...
Quando veio o Plano Real, que veio para ficar e felizmente continua ficando, surgiram as lojas de R$ 0,99 e deram vazão aos saudosos de sacoleiros de Miami, numa época em que sair do Brasil custava muito caro (hoje, fora as mordidas dos impostos para tirar passaportes e vistos, está saindo barato sair para o exterior).
Depois de tempos de usufruto dos novos tempos sem correção monetária, a Economia não “guentou” o tranco, largou o dólar de R$ 1,00 e as lojas se mudaram para R$ 1,99. E de lá para cá, conseguiram sobreviver nesse patamar embora o canal do dólar estivesse sendo construído com outras bandas. Ninguém seria capaz de apostar que de R$ 4,00 um dia voltaria para as bandas cá de baixo. Vender a produtos a R$ 1,99 agora é mole!
Esse ponto é válido para lembrar que, embora no mundo econômico-financeiro exista um montão de gráficos com traços que são rejeitados pelos leigos, há dois tipos básicos de desenhos que indicam tendências futuras, ou mais ainda, fatos passados, e muito podem ajudar na administração de nossas contas.
Os gráficos que registram historicamente as cotações das ações e elocubram as cotações futuras são desapegados de limite para o registro de valores cada vez mais altos, embora o valor mais baixo seja limitado pelo zero, ou seja a falência da empresa. Assim, o valor de uma ação de empresa pode, em tese, ir subindo, subindo, subindo, mudando de patamar conforme seu crescimento e seus resultados. Mas, cuidado com as altas!
Por sua vez, os gráficos de commodities, tipo ouro, petróleo, boi gordo, café, soja, ou moedas, são canais com limites historicamente definidos, que de tempos em tempos podem ser redefinidos em face de novas conjunturas econômicas mundiais.
Como já se viu, o petróleo andava na faixa de US$ 2 a 3 o barril em 1973 quando os produtores árabes resolveram suspender as exportações aos EUA como retaliação ao apoio do Ocidente a Israel desencadeado pela Guerra do Yom Kippur, passando para a faixa de US$10/barril.
O segundo choque em 1979 foi resultado de uma ação visando elevar o preço alvo do petróleo via cartel da OPEP. Nesse período o preço do barril passeou dentro de um canal com limite a US$ 40/barril e logo passeou novamente pelos 10 dólares o barril nos meados dos anos 80 e finais de 90. E agora não está passeando no entorno de US$ 70/barril?
Assim, esses passeios são característicos e acontecem todo dia na economia mundial, com evidentes reflexos no nosso bolso. Nós, consumidores atentos, temos visto esses canais de preços agirem livremente nas prateleiras dos supermercados como reflexo das variações nos preços internacionais das commodities que freqüentam nossa mesa, e agora mais ainda com a queda do dólar, no preço do bacalhau e outras delícias importadas.
Daí, com um bom acompanhamento e intimidade com os preços dá para fazer ótimas compras e fazer estoques em função do mercado internacional (!), independente das pesquisas de promoções. Temos visto o “pet” de óleo de soja variar R$ 0,99 até R$ 3,99, o arroz de 5 quilos de R$ 11,90 até R$ 4,20, o feijão de R$ 1,20 até R$ 3,20 o quilo,o sabão em pó de R$ 3,80 até R$ 6,90, ou seja, o mesmo produto, da mesma marca, com esse enorme “spread” de preço. Temos que aproveitar e comprar quando está na baixa!
Falta ver o que se passa com os preços dos combustíveis do monopólio estatal no Brasil: quando sobe o petróleo ou o dólar, lá vem o aumento; quando baixa, nada! “Nóis guenta”: deve ser para que nosso rico povão tupiniquim possa compensar a ajuda aos hermanos cocaleiros tão necessitados...