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    O dólar está furado?
    Quem teve o privilégio de poucos no país de estudar História ouviu logo na primeira hora que era uma matéria importante para o aprendizado de toda a vida e que a “História se repete”, o que é a mais pura verdade. Quem não estudou perdeu a oportunidade de logo cedo construir os alicerces de uma cultura básica para o comportamento humano e uma fundamental ferramenta para analisar rumos futuros na sua vida. Talvez seja por isso que uns e outros vivem repetindo que “nunca na história” (com minúscula) aconteceu isto ou aquilo...

    Pois é: se como tudo na vida a História se repete em ciclos, tanto comportamentais como econômicos, que dirá com o dólar ou com as bolsas de valores? Muitas vezes acordamos de manhã cedo (não é pleonasmo, é que tem gente que acorda tarde) e tomamos um susto com o tempo: à noite estava a maior lua e de manhã estava a maior chuva, tipo Angra ou Ubatuba, ou seja, não é sempre sol nem sempre chuva.

    Estamos cansados de ouvir recomendações para comprar na baixa ou vender na alta, e isso vale para tudo, bolsa, dólar, euro, ouro, commodities, imóveis, e ninguém aprende, fica todo mundo esperando ganhar o máximo e acertar na mosca, esquecendo que o alvo é pequeno e a porta estreita.

    Já vimos há pouco tempo o mesmo dólar que hoje aí está a R$ 2,00 ser cotado a R$ 4, 00, com todo mundo dizendo que ia a R$ 5,00... E o que aconteceu? Afobados comeram cru por não acreditarem no bom senso e no potencial extra-Política do país.

    Existem operadores em todo o mundo globalizado que vivem diariamente de administrar a variação histórica entre os preços de mesmos ou diferentes produtos financeiros e ganham muito com isso. Isso acontece com ações ordinárias versus preferenciais ao comparar a variação percentual entre suas cotações, com as diferenças entre as cotações das mais diversas commodities e moedas. Basta ver entre que faixas de preço variam os preços do barril de petróleo, da arroba do boi gordo, do café, da soja, do suco de laranja, do cobre e de tudo mais, tudo avaliado e interpretado após consulta a sofisticados gráficos que registram os respectivos comportamentos históricos e tendências, os quais “de repentemente” mudam!

    Já vimos a libra inglesa valer o dobro do dólar, cair quase ao par e agora, mais uma vez, estar valendo o dobro. Igualmente, noutros patamares, as relações dólar versus euro (agora batendo recordes de valorização), versus iene e versus a miríade de moedas brasileiras... Assim, agora o dólar está perdendo feio para o real, mas embora não seja bom para o país e não expressando a realidade econômica, é a hora da nossa combalida e tungada classe média relaxar e aproveitar para ir à forra e à farra dos importados e das viagens.

    Nesse contexto, a farra dos importados está ajudando muito no controle da inflação ao estabelecer uma forte – e às vezes predatória – concorrência com os produtos nacionais. A reação está-se vendo: todo mundo aproveitando para adquirir ou trocar seus eletrodomésticos e computadores aos preços convidativos de agora e a se esbaldar com as tentadoras guloseimas importadas que agora estão freqüentando as prateleiras tupiniquins.

    As viagens ficaram baratas e atrativas principalmente para a América, aquela das novelas, mas desde que não se tenha nascido em Governador Valadares e arredores, pois não há Papa que consiga o visto americano se tiver atuado por aquelas bandas. Com o dólar a R$ 2,00, as passagens para o mundo todo ficaram acessíveis e só não estão mais baratas porque o petróleo está caro.

    Para a Europa o custo de vida ainda pesa muito e não está tanta moleza porque o euro também se valorizou muito em relação ao dólar, mas está muito melhor que há pouco tempo atrás. Para quem for para o exterior agora vale gastar nos cartões de crédito (desde que tenha os reais para pagar aqui) porque neles a cotação do dólar é melhor do que a do dólar turismo manual.

    Isso se no período da viagem a cotação continuar nesse patamar de hoje, coisa em que não se pode apostar porque o Banco Central, “podes crer”, vai ganhar essa guerra a qualquer momento. Da mesma maneira que, na época contra todo o mercado, ganhou um dinheirão vendendo nossas reservas com o dólar subindo no dia-a-dia de cerca de R$ 3,20 até R$ 4,00, nos idos do segundo semestre de 2002.

    Passado o susto, vem sistematicamente recompondo nossas reservas a preços muito “mais melhores”, isto é, vendeu na alta e comprou na baixa! Aliás, continua comprando na baixa... Coincidência ou não, neste sábado, 5 de maio, na editoria de ciência do Jornal o Globo, a coluna "Lições não aprendidas" dá exemplos muito interessantes sobre a repetição de fatos na administração governamental, comparando a gestão de D Pedro II com o governo atual.

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