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Financiando ou aplicando a devolução do IR
No sufoco da declaração do imposto de renda, depois do ano todo reclamando, uma alegria exatamente para os que mais reclamaram: a devolução do imposto retido na fonte. Para variar, a grande maioria deixou para última hora a declaração porque, morando em cidade grande, gosta de engarrafamento e sente falta de um sufoco.
Para os que têm para receber de volta o que emprestaram para o coitadinho do governo que retém nossa grana para pagar, entre tantas outras, as despesas dos ministérios que se multiplicam igual coelhos (agora já são 36!), há uma boa solução para antecipar a grana para os que dela precisam o mais rápido possível: os bancos oferecem taxas bem mais convenientes que essas que andam por aí para adiantar a grana.
Para quem não precisa, por incrível que pareça o melhor de tudo é que demore muito, pois o valor da devolução estará sendo remunerado pela taxa Selic integral, taxa que hoje não está dando sopa por aí... Isto é, desde que a declaração não esteja retida na malha fina, não é? E incrível: é uma poupança forçada sem imposto de renda em cima do dinheiro do imposto de renda!
E qual é o segredo de os bancos oferecerem taxas razoáveis ao dar crédito para tomadores necessitados, visto que os bancos só gostam de emprestar para quem não precisa? É que o financiamento da devolução do IR de quem tem bom cadastro tem um risco menor que de outras operações de empréstimo, pois o cliente tem um valor a receber que vai passar pela sua conta corrente.
Os bancos em geral emprestam cerca de 70% do valor previsto e determinam um vencimento do empréstimo para meados de dezembro, contando que até lá a restituição seja devolvida. As taxas giram no entorno de 3% ao mês; no caso de atraso ou malha fina (isola: bata na madeira!) torna-se necessária uma renegociação que então estará sujeita a novas taxas de juros. Nessa ocasião, olho vivo: não se deve permitir que o banco abuse da situação. Se ele quiser enfiar a faca, coisa que não é raro acontecer exatamente com quem não pode pagar, procure outro banco e negocie uma outra operação independente.
Em compensação, quando a devolução vier antes da data final determinada o banco irá creditar os juros cobrados a mais. Também é fundamental que o banco indicado para o crédito da devolução seja aquele que estiver lhe emprestando e que uma cópia do IR seja apresentada para indicação do valor previsto para devolução.
Como sempre, a regra geral é não tomar empréstimo se não precisar de dinheiro, donde nada de se animar com a sedução bancária. E por falar no malfadado imposto de renda, é bom lembrar que quem paga IR é porque ganhou, o que não é o pior dos mundos apesar da mordida do mão-grande-governo, principalmente num país onde imperam os impostos indiretos.
Um país é tanto mais desenvolvido quanto maior é a participação dos impostos diretos, tipo o IR, na receita dos governos. Um imposto indireto é injusto com os menos favorecidos: numa cerveja, cujo total de impostos ultrapassa 60% do preço, o rico paga igual ao pobre, o mesmo acontecendo com cigarros ou qualquer outro produto gerador de IPI, ICMS e outras mordidas.
Mas, o mais estranho é a passividade do governo que protege o capital especulativo que vem de fora: as aplicações especulativas que vem derrubando sistematicamente a cotação do dólar não pagam IR sobre os rendimentos! Para brasileiro tem imposto, para gringo especulador, não! Quer me explicar essa lerdeza em acabar com essa sopa?
Houve um momento, poucos anos atrás, que o país mendigava dinheiro externo, daí as autoridades monetárias terem isentado as aplicações estrangeiras do IR. Daí, os brasileiros mais safos e os safados, com grana legal (ou ilegal... mais ainda!) lá fora, aplicam de lá´prá cá e ficam isentos! Por que não acabar com essa moleza daqui para frente para nova grana que ainda insistir em morder por aqui, e ainda por cima aplicar-lhes um IOF?
Bem, lá vai um economês para ajudar as passivas autoridades monetárias: examinem a evolução da “trindade impossível” ( teoria do prêmio Nobel Robert Mundell) e acabem com tal mobilidade dada aos capitais de curto prazo, antes que seja tarde...