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    Cinzas para pagar

    Acabou o carnaval, vieram as Cinzas e acabaram as férias: agora, o Brasil começa a trabalhar. O grande problema é que, para esse período de lazer dos poucos privilegiados que têm esse direito, os salários foram pagos antecipadamente e é aí que morou o perigo: com grana no bolso o vendaval fez a festa, de acordo com a música.

    Nesse retorno, as contas do cotidiano começam a chegar e encontram a grana curta, com o cheque especial quase tomado e com o cartão de crédito estourado. É que, junto com os pais, os filhos também em férias atacaram as contas caseiras com lanches e sorvetes nas praias, com interurbanos nos celulares, com ar condicionado ligado, com festinhas e shows até não dormirem mais.

    Enfim, depois da quarta-feira o que resta é dar um jeito para ajeitar as contas da maneira mais econômica possível para escapar das multas e juros. Para isso, é necessário fazer um orçamento de todas as contas a pagar e planejar e executar as providências necessárias.

    O cheque especial é muito caro porque é um quebra-galho e não é para ser usado o tempo todo. Deve-se, então, passar no respectivo banco e negociar um empréstimo pessoal parcelado, que tem taxas de juros cerca de 2/3 mais baratas e tentar o menor prazo possível de modo a pagar menos juros: o banco tem interesse em resolver o seu problema (e, lógico, o dele, senão você não vai conseguir pagar).

    Em nenhuma hipótese aceite a oferta de empréstimos “fáceis” das caixas eletrônicas, onde as taxas são maiores: ir falar com o gerente para negociar dá trabalho, mas ganhar sem trabalhar é difícil. Jamais entre numa financeira de beira de rua ou daquelas de anúncios mirabolantes: é um desastre futuro. Fuja dessa como uns e outros deputados fogem da verdade em CPI.

    Chega a fatura do cartão de crédito e a grana está toda comprometida: o que fazer? Ora, deve-se seguir na mesma linha e, após se virar para pagar o mínimo, correr na frente para arranjar uma linha de crédito mais barata que aquelas com as taxas escorchantes do crédito rotativo dos cartões. Os bancos que empurram os cartões de crédito em cima dos clientes têm obrigação de arranjar empréstimos mais baratos ou reduzir as taxas do rotativo; mas, para variar, vai dar trabalho para negociar.

    A importância do pagamento do mínimo de 20% é que, se não for pago na data, o cartão cobra a multa de 2% sobre o total da fatura, o que significa 10% sobre esse mínimo, donde só acontece com quem bobear. E se depois de pagar o mínimo nada disso funcionar, passe o resto do mês poupando no cartão, isto é, fazendo depósitos avulsos, sempre que possível, de toda e qualquer quantia. Compre (somente o que precisar!) com o cartão e a grana que ia ser gasta deposite no cartão! Que tal?

    Outras contas, tipo telefone fixo ou celular, verdadeiros cupins do orçamento, só podem cobrar 2% de multa, donde se não der para pagar na data aproveite o prazo definido para corte e pague na última hora com juros de 1%. Não estou conclamando a inadimplência, mas é que eles enfiam a faca e ganham muito em cima dos usuários que não se controlam no consumo. É um crime a que se sujeitam os pobres, com orçamento apertado, ao usarem impulsivamente celulares a torto e a direito; mas podemos estar certos que as concessionárias (e o governo com seus impostos de 30%!) ganham muito, muito mesmo, haja visto o quanto gastam em propagandas milionárias por aí tudo.

    Com um pouco de trabalho, que é o que o Brasil precisa, vai ser possível varrer as Cinzas do Carnaval e enfrentar o ano com otimismo, desde, claro, que os governos nos seus três níveis também trabalhem em vez de gastarem “nosso” tempo em composições políticas pensando em futuras eleições. Haja paciência!

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