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    Menos dívidas em 2007

    Existe uma grande confusão quanto ao trato com o termo “dívidas”. Antes de tudo é fundamental não confundir as dívidas por investimentos com aquelas por despesas ou gastos supérfluos. Também quando se diz que uma pessoa tem dívidas é importante saber classificá-las, pois podem ser compromissos a vencer ou já vencidos. E é diferente uma inadimplência por atraso num pagamento de prestação comparada a uma por cheque sem fundo, evento muito mais grave!

    Enfim, é preciso saber viver, digo, dever. Se tivermos prestações a pagar pela compra de um apartamento para uso próprio, trata-se de um investimento em um bem de raiz que garante a dívida, como dizem os defensores da compra de imóveis próprios. Se for para diversificar as economias com uma poupança forçada e obter rendimentos futuros com o aluguel para terceiros, é outra coisa: ainda é uma boa dívida, desde que a compra tenha sido com juros baixos e sem atrasos.

    Se forem dívidas por prestações da compra de um carro, há controvérsias! Eis que alguns dizem que adquirir um automóvel é assumir despesas, e se for a prazo serão despesas-com-juros, sem levar em consideração o prazer de ir e vir... Sem ilusões: o fato é que um carro gera despesas constantes com combustíveis, manutenção, seguros, multas e outras. Além de se depreciar ano a ano, pois com a relativa estabilização econômica dos dias de hoje, compra-se um carro de Ano Novo quase pelo mesmo preço que estava no ano anterior. Ou seja, o nosso do ano passado desvaloriza-se sempre, embora mantenha algum valor residual.

    Se as dívidas forem por conta da compra de outros “bens de consumo duráveis” (um belo economês!) há que se avaliar a necessidade de uso do produto adquirido, pois depois de usado não vai valer mais nada. Isso sem falar do controle da ansiedade na compra, tipo trocar de celulares e comprar novas TVs de plasma ou computadores. É bom lembrar que os primeiros aparelhos de DVD custavam mais de R$ 3.500,00 e atualmente se compra por até R$ 100,00, sem contar que agora há filmes nas locadoras...

    Esses alertas valem para fugirmos das compras a prazo que sempre incorporam juros, embora as propagandas enganosas continuem a enrolar os endividados com seus cheques pré-datados ou com a rolagem dos juros escorchantes dos cartões de crédito. Para aqueles que caíram nessas armadilhas, ainda mais nas de financeiras-de-beira-de-rua, resta uma boa solução a ser planejada para um ano financeiramente mais saudável.

    Basta vender o carro para pagar todas essas dívidas, interrompendo assim a cobrança de juros acima de 10% desses citados agiotas oficializados. Muita atenção: se o carro ainda tiver prestações a vencer por ter sido comprado pelo CDC (Crédito Direto ao Consumidor) deve-se negociar um desconto equivalente aos juros das prestações futuras, conforme o contrato e de acordo com o outro CDC (Código de Defesa do Consumidor).

    Se essa ação for rápida dá para escapar do IPVA de 2007... E se não der para ficar sem carro, aproveite o que sobrou da venda do outro após pagar as dívidas e dê entrada num carro novo barato, cuja taxa é de cerca 1% ao mês – ou, se não der, um usado bem pechinchado, com taxa de cerca de 2% ao mês, e sempre no menor prazo possível.

    E porque essas taxas são baixas? Ora, porque o carro é a garantia da dívida e quem não paga tem seu carro “seqüestrado” pelo credor. Coisa que não estará planejada para o Feliz Novo Ano.

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