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Com educação, o mínimo poderia ser bem maior (parte 2)
Refletimos semana passada sobre como fazer o mínimo chegar a ser o máximo e continuamos agora.
Muito, ou tudo, se deixou de fazer. E então? Vamos chorar sobre leite derramado? Não adianta! O que fazer agora? Filosofar? Ler Proust no seu “Em busca do tempo perdido”? (é ruim, hein?). Continuar anunciando programas sem efetivá-los? Ficar armando estratégias demagógicas objetivando reeleições? Ou partir para ação, mandando fazer o que tem que ser feito, deixando de lado os interesses pessoais e políticos de partidos como o Partido do Me Dei Bem, banindo a filosofia do “quero o meu, mas quem paga é o seu” vigente nos governos de todos os níveis do país? O país precisa de ação, de emprego, de trabalho, de menos feriados e de menos políticos predadores.
Que se aprenda com a experiência do passado, triste, porque não deu certo: aquele pioneiro Plano Cruzado, de repente interrompeu os indecentes rendimentos financeiros de então -- que infelizmente, ou felizmente (dependendo do lado em que estamos), continuam até hoje -- e todo mundo teve que partir para trabalhar fora, para produzir, porque viver de renda não ia dar. Resultado imediato: todas as lojas, galpões e prédios vazios, foram resgatados para atividades produtivas; mão de obra ociosa de todos os níveis foi convocada para trabalhar criando-se novas oportunidades de emprego; as mais diversificadas atividades tiveram salários aumentados por conta da enorme procura de gente para trabalhar. Ou seja, logo, logo, o nível salarial de toda a massa de trabalhadores foi aumentado em função da atividade produtiva em expansão.
Enfim, o que todos já sabemos: juros baixos estimulam o investimento em atividades produtivas, estas demandam mais empregados, estes pedem salários maiores por conta da procura maior; as empresas podem pagar mais porque as vendas crescem. Surge um ciclo de prosperidade e os salários em geral crescem.
Para variar, não deu certo no Cruzado, dentre outras coisas, por causa das ambições de políticos, mas uma coisa ficou para mostrar o que é possível acontecer. Em cidades como o Rio de Janeiro e São Paulo, as donas de casa foram estimuladas a empreender em negócios próprios, em várias atividades como lojas de roupas ou doces, joalherias, lavanderias ou restaurantes, e passaram a disputar as empregadas domésticas com ofertas de salários maiores, o que mudou de vez o patamar de seus salários. Elas passaram a ser valorizadas pelo seu trabalho e pela grande procura. O padrão, que era de indexação a um salário mínimo mensal, passou para até dois salários mensais e nunca mais recuou! Imagine-se o que seria se todas essas trabalhadoras tivessem tido a oportunidade de estudar e se especializar, exigindo o quanto valem para trabalhar no que as empreendedoras tinham abandonado? Quanto não estariam valendo?
Para aquelas se conquistou um novo patamar. No entanto, em alguns dos diversos rincões mais pobres do país, alguns outros e outras, embora tendo a sorte de ter a carteira assinada, são obrigados a devolver parte desse mínimo salário mínimo porque o mercado não comporta esse valor. E se o empregado não gostar, não consegue emprego, nem aqui, nem ali...
Resumindo, para se pagar mais e para se ganhar mais, é preciso haver um nível de crescimento e desenvolvimento que remunere os negócios: é preciso um crescimento constante e sustentado. Não será assinando decretos enganosos que o ganho vai crescer. Para isso o que é preciso é oportunidade de trabalho. É preciso trabalho. A começar pelos governos...