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Com educação, o salário mínimo pode ser bem maior (parte 1)
Agora com a expectativa do aumento para o salário mínimo do próximo ano, novamente nos perguntamos como alguém consegue viver, digo, sobreviver com esse mínimo valor mensal.
Aliás, para mais espanto, basta lembrar que muitos neste país do Fome Zero zerado nem esse mínimo ganham, donde, mais ainda, não se sabe como conseguem o milagre.
Já houve até presidente que, perguntado sobre o que faria se ganhasse salário mínimo, disse que “daria um tiro na cabeça”. Pelo menos aquele não havia prometido nada melhor para ser eleito, eis que naquela época não se precisava de bravatas para ser eleito: bastava ser um militar indicado que gostasse mais do cheiro de cavalos do que do cheiro do pobre-povo-pobre.
Sendo militar, naquela época não era pobre, e como não vinha do meio dos pobres, parecia até que efetivamente tinha mais preocupação com os pobres, pois tinha uma estratégia política que permitia desenvolvimento e emprego. Agora, o atual, como conhecedor e vencedor da pobreza, parece que acha obrigação ter paciência para esperar as coisas acontecerem, já que ele esperou por um bom tempo até se livrar do estigma. E aí deu no que está dando, ou melhor, no que não está dando...
Muito importante lembrar que o valor de um salário mínimo não pode ser definido por canetadas, como pensa um demagógico e ainda atual “casal governante”, imitando outro presidente passado – aliás, não tão passado, pois ainda está por aí desmandando mais do que à sua época. Aquele então mandatário, ungido ao poder pelos sempre tristes destinos políticos desta nação de pobres, e poeta como sempre, questionava demagogicamente porque não poderia assinar um salário mínimo bem acima do que a área econômica estava recomendando. Ao que um dos nossos gurus da Economia, hoje infelizmente já fora do nosso convívio, informou: ”Se o caso é usar a caneta, pode assinar um valor correspondente a mil dólares e ver no que vai dar...”.
Em suma: todos deveríamos saber que não se trata de querer, mas, sim, de poder aumentar o valor do salário mínimo (nesse ponto justiça seja feita: o atual governo já entendeu isso). E para poder aumentar esse valor a níveis humanitariamente decentes é preciso uma conjuntura econômica que permita uma remuneração compatível com os ganhos da atividade produtiva. Ou seja: se não há tal atividade porque o sub-crescimento campeia entre nós, não há como partir para uma solução satisfatória. Donde não podem ser efetivadas as bravatas eleitoreiras...
Solução teria havido. Estruturalmente bastaria que o país tivesse sido educado com educação, isto é, que governantes responsáveis tivessem continuamente dado a necessária prioridade à educação de todos e que o analfabetismo tivesse efetivamente sido erradicado sem falácias políticas. Um povo educado e civilizado pelo conhecimento saberia produzir, sobreviver, “se virar”. As condições da Economia já seriam outras e nós estaríamos bem, simplesmente bem. Ouve-se falar de algum país com povo totalmente educado e civilizado, integrado no contexto mundial, que seja pobre, que o povo seja miserável?