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A Bolsa e o seu bolso
Nestes últimos dias tenho recebido telefonemas de amigos e consultas de alunos sobre investimentos em Bolsa. Ora, é normal, de vez que toda vez que subiu e começa a ficar badalada, todo mundo corre atrás! E é aí que mora o perigo: correr atrás não é correr na frente!
E os mais medrosos dizendo que gostariam de entrar, mas que já foram escaldados em outras ocasiões, pois “só quem ganha é quem está lá dentro operando”... mas, não é bem assim. Um fato antigo e conhecido de operadores de Bolsas de Valores é que eles ficam contentes, não quando ganham, mas, sim, quando perdem menos!
Estranho, não é? É porque quando realizam um lucro, garantindo “algum”, quase sempre ficam tristes porque a Bolsa ainda subiu um pouquinho mais; quando perdem, vendendo com prejuízo, ficam contentes porque a Bolsa continuou caindo e alguns amigos teimosos, que não obedeceram ao stop loss, perderam mais...
(Stop loss é um termo do mercado para uma medida que deve acompanhar toda a aplicação de risco: definir o limite de perda que se quer assumir e naquele limite realizar o prejuízo para não perder mais).
Por essas e outras é que essa história de que “só ganha quem está lá dentro” é um papo furado. Quem está lá dentro, operando a sua própria carteira de ações, quase sempre se deixa levar pela “emoção burra”. No entanto, quando a carteira é de terceiros, não é difícil seguir as regras e dar opiniões isentas, sem estar torcendo por qualquer posição e se acerta bem mais...
Assim, quem já é macaco velho e já viu de tudo acontecer, nem estranha essa volatilidade que se vê nos dias de hoje nas Bolsas do mundo todo e trata de executar o óbvio: caiu, compra; subiu, vende. Como muito pouca gente é capaz de fazer isso, a minoria que sabe operar é que dá substância ao “Axioma de Wall Street”: “O que é óbvio para todos está obviamente errado!”.
Quem está fora da Bolsa e pretende entrar, deve então ficar de olho nos momentos propícios indicados por analistas isentos, dar uma olhada nos gráficos de mercado e lembrar que “ganha quem compra na baixa e vende na alta!”. Por aqui, há pouco tempo os índices da Bovespa namoravam os 34 mil pontos, vindo dos 42 mil, e pouca gente se animou a comprar. Agora que a Bolsa está beliscando novamente este índice, pronto: todo mundo se assanha!
“Ora, direis! Mas, como saber quando é a alta e quando é a baixa?” Ora, direi eu: alta é quando todo mundo só fala em Bolsa, as corretoras e sites estão entupidos de compradores, quando sai na capa das revistas... e baixa é quando ninguém acredita mais, diz que Bolsa já era, que nunca mais vai entrar nessa...
Só que todo esse papo é para quem gosta do jogo e quer ficar especulando. Quem tem um planejamento estrutural coerente visando bom futuro econômico e financeiro a longo prazo, deve ter uma boa parcela de suas economias em ações, pois o empreendimento produtivo é o melhor negócio e o que gera o melhor retorno.
Senão, vejamos a história que se repete todos os dias, como já visto em artigo anterior: o playboy aplica a grana no banco, este enfia a faca emprestando para as empresas e estas ainda conseguem ganhar mais, pagando o banco e dando lucro para o sócio-acionista, donde o melhor negócio é comprar ações. É necessário, porém, escolher o investimento e apostar em empresas promissoras porque “quanto maior o lucro, maior o risco”.
E se você acredita mesmo nas suas aplicações em ações, pode ter calma, pode viver dos polpudos dividendos (que a cada queda de taxa de juros valem mais) e deve parar de sofrer com os noticiários diários de sobe-e desce de cotações. Por acaso você se preocupa com o preço do seu apartamento, consultando diariamente os jornais para ver os preços anunciados?
Se comprar sempre uma mesma quantia, vai escapar de comprar só nas altas, e nas baixas vai comprar maiores quantidades, o que já vai ser bastante lucrativo no logo prazo. É sempre bom lembrar que ação é negócio para longo prazo: comprar sempre e vender quando precisar...
(O autor operava no pregão da BVRJ durante o “boom” de 1971 e na ocasião do “caso Nahas”, dois momentos de grande pressão especulativa e de alta volatilidade, bons para o aprendizado prático...)