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“Dançando”, mesmo com juros baixos...
A coluna anterior tratava dos juros do crédito imobiliário, assunto agora novamente badalado porque com a tal taxa Selic (é a taxa que remunera os títulos pós-fixados do governo que estão registrados no Sistema especial de liquidação e custódia do Banco Central) caindo para patamares bem menores, os bancos vão correr atrás do filão da casa própria financiada.
Bonito país este: quando se abriu as portas para os bancos estrangeiros se esperava que eles trouxessem novas e baratas linhas de crédito para financiar empresas por aqui e provocassem uma saudável concorrência com os bancos nacionais. Doce ilusão: eles aqui chegaram, compraram uns e outros, (com duplo sentido...), gostaram da farra da Selic e mandaram ver nos lucros emprestando para o governo endividado.
Agora é que pode ser que a coisa melhore, pois com muitos bancos concorrendo na faixa do crédito imobiliário vão surgir melhores oportunidades para os ansiosos compradores de imóvel financiado.
Pois é, mas os construtores e proprietários de imóveis, por sua vez, ficam assanhados com a chance de aumentar preços e ganhar mais por conta de uma procura acirrada que pode abastecer a demanda reprimida (êta economês!). É sabido que normalmente o imóvel que tem financiamento é sempre mais caro porque oferece facilidade para pagar. E agora, com a euforia que pode ser criada com essa badalação, o risco de se machucar pela ansiedade na hora de comprar é grande.
Senão, vejamos. O que adianta negociar e conseguir um financiamento com uma ótima taxa de juros, mas escolher um imóvel cujo preço tenha sido aumentado por especulação e esteja acima do seu valor de mercado? Você estará comprando um imóvel caro com financiamento barato: “dançou!”.
Vamos a um exemplo: imagine que se tenha R$ 30.000,00 para dar de entrada num imóvel. Procura daqui, procura dali, um ansioso encontra um apartamento cujo valor pedido é de R$ 120.000,00 numa primeira oferta e se acerta um financiamento com taxa efetiva, sem mais nenhum disfarce, de 1% ao mês (taxa pré-fixada que anda sendo apregoada por aí, que, cá entre nós, acho difícil que seja isso mesmo). Em 10 anos, em parcelas iguais fixas, o valor mensal para os R$ 90.000,00 seria de R$ 1.291,24.
Muito bem: esse mesmo imóvel, ou equivalente, procurado com calma, pesquisado por muito tempo, conhecendo-se o mercado e pegando um vendedor que precise vender, poderia ser negociado por R$ 100.000,00 donde o financiamento seria de R$ 70.000,00... Com a mesma taxa de 1% ao mês, teria como prestação R$ 1.004,30, uma baita diferença ao longo de 120 meses! E até com taxa de 1,5% ao mês ainda seria vantajoso, pois o valor da parcela seria de R$ 1.261,30...
Para quem gosta de contas, a taxa anual efetiva de 1%/mês é 12,68%/ano e de 1,5%/mês é de 19,56%/ano. Ou seja, deve-se primeiramente tentar achar o imóvel com preço justo, de alguém que precise vender, e então partir para a melhor taxa de financiamento, tomando muito cuidado com quaisquer taxas acessórias, que não devem ser aceitas se não foram explicitadas, contratadas ou negociadas.
Sem pressa: afobado come cru! Vem uma saudável concorrência por aí!