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Olá!
Esta coluna estréia exatamente do jeito que deve ser daqui em diante: deixando claro como o vaivém da economia afeta seu bolso.
O objetivo é falar semanalmente sobre temas relevantes de forma simples e didática - da prestação da casa própria a dicas de como economizar, organizar o orçamento, evitar armadilhas de gastos desnecessários...
O tema escolhido para a estréia não poderia, portanto, ser mais relevante. Se alguns cuidados não forem tomados, o sonho da casa própria pode virar um pesadalo.
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Nem tudo que reluz é tijolo
Com o espaço que o momento eleitoral propicia, promete-se uma nova fonte de financiamento para a aquisição de imóveis. Reaviva-se assim o “sonho da casa própria”, realimenta-se o mito do “bem de raiz” ou do intocável “bem de família” e abandona-se a cautela contra a armadilha dos maiores juros do mundo: os nossos!
Consta que Albert Einstein, o mais importante físico contemporâneo, dizia que a força mais poderosa do Universo não é a força da gravidade, mas, sim, a força dos juros compostos! Com ajuda de uma calculadora dá para fazer uma continha de juros sobre juros, coisa que os advogados chamam de “anatocismo” e alimenta muitos processos na Justiça. Pode-se assim descobrir o que impressionou o físico: com taxas de juros de 15% ao ano uma dívida dobra em 5 anos, com 12% ao ano quase dobra em 6 anos e com 10% ao ano dobra em pouco mais de 7 anos.
Será que o nosso tão sonhado tijolo emparedado também vai dobrar de preço ou será que ficaremos entijolados pela força avassaladora dos juros compostos tupiniquins? Imagina em 180 meses, ou seja, 15 anos...
O exame do assunto é difícil e a decisão mais ainda. O governo acena agora com uma “cenoura” que pode estar contaminada por agrotóxicos macroeconômicos: oferece financiamentos imobiliários regulados pela sua TJLP (taxa de juros de longo prazo), uma das caixas pretas mais invioláveis da nossa economia, claramente submetida a interesses de políticas monetárias. Que tal ficar à mercê de crises externas ou internas que exijam drásticas providências defensivas previstas em manuais de Economia?
Por essas e outras é que vale a pena ficar de olho aberto e bolso fechado até ver se a coisa vai funcionar. Duas coisas são primárias para diminuir o custo do sonho: não aceitar aumento de preços nos imóveis só porque vai ter oferta de financiamentos no mercado e lembrar que incide um montão de taxas outras e encargos que aumentam a taxa de juros divulgada.
Depois de todo esse alarme, alguns vão perguntar : “E aí, o que eu faço? Vou viver de aluguel a vida toda?” Parar para pensar: quem se der ao trabalho de fazer contas, vai ver que o aluguel mensal hoje anda no entorno de 0,5% do valor do imóvel e uma compra financiada acaba ficando na faixa de 1,5%... Assim, quem quiser alugar, e se dispuser a poupar a diferença, acabará podendo comprar a vista em menos da metade do tempo do que quem financiar!
Tudo bem, mas de “boas intenções o inferno anda cheio”. Economizar para pagar a cara prestação é a prática, mas poupar para comprar depois, é a teoria. E nem sempre a teoria funciona na prática...