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Retrospectiva: 40 dicas para usar a sua grana
Chegamos a 40 colunas “Sua Grana”... Sempre abordando assuntos que dizem respeito ao nosso bolso, como é nosso propósito maior, mas mesclados com alguns irresistíveis “ganchos” (como diz a linguagem jornalística) que fazem referência aos assuntos das manchetes sócio-econômicas e políticas que cotidianamente mexem em outro nível (quase sempre baixo...) com nossas parcas economias domésticas.
Agradecemos os comentários dos internautas que se dispõem a dar suas opiniões a favor ou contra, mas sempre complementando os temas abordados. Muitas vezes surgem dúvidas, pedidos para esclarecimento ou sugestões para novas matérias, embora algumas já tenham sido aqui analisadas. Outras vezes, ao dar aulas em cursos ou palestras, para citar a Coluna Sua Grana como fonte de orientação para determinado tema, é preciso identificar aonde está o assunto que estamos tratando.
Assim, vamos identificar e relacionar a seguir os títulos de cada artigo para ajudar o interessado no tema central para saber em que data encontrar a informação. Que tal?
Antes, porém, não dá para não dar uma opinião sobre os dramas mortais que nos atormentam e amedrontam por conta da inapetência e incompetência daqueles que, por não saberem ou não quererem trabalhar, nos tungam em impostos até 146 dias do suor do nosso trabalho.
Como sempre “não foi por falta de aviso” e basta ler especialmente a coluna que entrou no ar virtual no dia 14/06/07 que avalia as inconseqüências de acomodar amiguinhos despreparados em funções técnicas. O que choca não são só os gestos obscenos, mas, sim, o que está por trás, o que eles significam: pensamentos obscenos e despudorados que grassam entre os “donos” do poder que acham graça em recomendar que se relaxe e aproveite as desgraças dos outros.
Enfim, vamos lá ao nosso índice de títulos/assuntos:
14/07/2007 - As taxas de retorno dos bons negócios e as Bolsas de Valores (compara taxas de retorno)
07/07/2007 – Ter ou não ter carro, eis a questão (continuação da coluna anterior)
30/06/2007 – Pagando dívidas com troco na troca (trata de obter grana trocando de carro)
23/06/2007 – O país da prosperidade autofágica (declaração infeliz de mandatário do governo)
14/06/2007 – Cada macaco deveria ir para seu galho (amigos incompetentes em funções técnica do governo)
09/06/2007 – Os comentários dos namoros (respondendo aos internautas)
02/06/2007 – Quanto custa um namoro (sobre presentes no dia dos namorados)
26/05/2007 – Não colocar todos os ovos na mesma cesta ( sobre diversificação dos investimentos)
19/05/2007 – Intimidade com as commodities (reflexo do mercado externo nas nossas contas)
13/05/2007 – Rico ou pobre, o endividado é o descontrolado (sem controle qualquer um se enrola)
05/05/2007 – O dólar está furado? (considerações sobre o preço do dólar)
28/04/2007 – Financiando ou aplicando a devolução do Imposto de Renda
21/04/2007 – Intimidade com os preços ( importância de “estar por dentro” dos preços)
14/04/2007 – As melhores aplicações: fazer estoque em promoções
06/04/2007 – Economize com um Big Brother na sua casa (como fiscalizar os gastos)
31/03/2007 – Quando o carro novo é mais caro do parece (sobre promoções enganosas)
24/03/2007 – Viver do trabalho rende mais do que viver de renda (novos tempos com juros baixos)
18/03/2007 – Em cima do muro das aplicações (revisão nas aplicações)
09/03/2007 – Poupar é para quem pode ( quem tem mais sempre leva vantagem)
01/03/2007 – Na hora de investir na Bolsa a emoção é burra ( cuidados com a euforia)
24/02/2007 – Cinzas para pagar ( depois do carnaval vem a ressaca)
17/02/2007 – Samba, suor e um ano pagar ( cuidados com as despesas do carnaval)
10/02/2007 – As duas faces da moeda (considerações sobre moedas e câmbio)
03/02/2007 – Clientes satisfeitos (como agem os consumidores)
26/01/2007 – O riscos do débito automático (cuidados com a falta de controle das contas)
19/01/2007 – Defesas contra ataques bancários (cuidados com as estratégias dos bancos)
12/01/2007 – Sutilezas bancárias (tratar de saber as regras de cada banco)
06/01/2007 – Sobre IPVA’s, IPTU’s e outras mordidas (a melhor solução para pagar)
28/12/2006 – Menos dívidas em 2007 (instruções para evitar dívidas)
22/12/2006 – Natal voltou a rimar com bacalhau ( preços de importados ficaram baratos)
12/12/2006 - Com educação, o mínimo poderia ser bem maior (parte 2)
06/12/2006 - Com educação, o mínimo poderia ser bem maior (parte 1)
01/12/2006 – Como fazer dos empréstimos uma boa aplicação
24/11/2006 – Décimo terceiro: o 13 que satisfaz... a uns poucos
16/11/2006 – Juros que parecem, mas não são (mostra armadilhas do marketing financeiro)
10/11/2006 – A Bolsa e o seu bolso (considerações sobre as aplicações em ações)
03/11/2006 – Os comentários bem que ajudam (aproveitando para tirar dúvidas)
26/10/2006 – O Playboy e as taxas de juros (reflexos das taxas de juros altas ou baixas)
19/10/2006 – Reflexões os juros ( considerações sobre as taxas de juros)
12/10/2006 – “Dançando” mesmo com os juros baixos (trata de comprar ou alugar um imóvel)
09/10/2006 – Nem tudo que reluz é tijolo (trata do sonho da casa própria)
Consultando essa lista, e respectivos comentários dos internautas, com certeza dá para identificar muita informação boa para Sua Grana e para ajudar no controle das contas familiares, fazendo sobrar dinheiro para o lazer...
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As taxas de retorno dos bons negócios e as bolsas de valores
Nesta época de histeria ambiental, quando tudo é causado pelo “efeito estufa”, parece que as Bolsas de Valores também já entraram na onda e se acostumaram com tudo que está acontecendo: estamos bem ou estamos mal, não interessa, o que interessa é que continua subindo, procurando descobrir o “ciclo vital”.
A turma viu que as malas, as cuecas e os bolsos dos políticos estão super estufados sem nenhum risco, que a prosperidade só provoca o caos aéreo dos tupiniquins e daí concluiu que nada vai afetar os recordes diários de pontos e de lucros.
Interprete-se como trocadilho, ou não, o dicionário Houaiss, ao explicar o uso do termo “estufar” até cita: “ (...) com tantos papéis, a bolsa estufou”. E dizemos nós, nesta época de Bolsas em alta: até os lucros de atividades agropecuárias estufaram demais conseguindo índice P/L=1,5. Esse é o significado da rentabilidade de 60% ao ano, ou seja, no período de um ano e meio acontece o retorno do investimento!
Que nos desculpem os internautas que não convivem com as manhas das Bolsas de Valores, mas é que esses conceitos relativos aos dados fundamentalistas dos balanços das Empresas interessam muito aos investidores. Mesmo para aqueles macacos velhos que já estão saindo da euforia para dar espaço para os que só agora ouviram falar em ações e Bolsas de Valores.
E aqueles macacos velhos ficaram pasmos ao ouvir que existem negócios, como o de bois gordos de Alagoas, com índice Preço/Lucro tão baixo. Isso porque em todos os mercados internacionais é considerado um bom investimento aquele que tem P/L=15, ou seja, dez vezes maior que o de bois de alguns pecuaristas alagoanos! Ora, é uma história para boi dormir, ou para senadores que pensam que o povo ainda dorme de touca eternamente em berço esplêndido.
O índice Preço/Lucro é o resultado da divisão do preço de uma ação no mercado pelo lucro líquido anual da empresa. Assim, o P/L é o número de anos provável para se obter de volta o capital aplicado na compra de uma ação, por meio de dividendos ou valorização da ação.
Para isso valer o tempo todo, seria preciso que o lucro anual considerado se repetisse ano a ano, mas como isso é uma falácia, são feitos ajustes e aparecem as projeções de lucros futuros, os índices P/L ajustados, etc,etc,etc, enfim uma parafernália de instrumentos para avaliação do chamado preço justo da ação.
Assim, quanto mais baixo o P/L, ajustado para o lucro futuro projetado de uma ação, de empresa séria, melhor negócio será comprar essa ação, pois a tendência será de essa ação subir de preço. Bem, falamos de empresas sérias, que não vendem com notas fiscais frias e não inflam lucros tipo as Enron’s da nossa política.
Com tudo isso, as Bolsas continuam subindo e o dólar caindo. Há uma máxima do mercado acionário que diz: “don’t buck the trend!”, ou seja “não contrarie a tendência!”. Em compensação, os macacos velhos sabem que a Bolsa está na baixa quando nenhuma notícia boa faz ela subir, e que está na alta quando nenhuma notícia ruim faz ela cair.
Daí basta interpretar se nós andamos tão bem assim na Economia comparando com outros países, se vale a instrução primária que reza para “comprar na baixa e vender na alta”. E se estamos tão melhor que o resto do mundo com uma moeda que se valoriza continuamente todos os dias. Cuidado: depois da bonança sempre vem uma tempestade...
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Ter ou não ter carro, eis a questão
A estratégia de levantar recursos financeiros obtendo troco na troca de carros que está na moda, examinada na coluna da semana anterior, gerou alguma controvérsia em relação aos objetivos da decisão de vender um e logo comprar outro, ignorando que a teoria é uma coisa e a prática é outra coisa.
Vale examinar as razões práticas do “Comportamento do Consumidor” que recomendam a estratégia vigente num mercado que agora abertamente oferece essas condições em anúncios de agências vendedoras de automóveis.
Por conta das apresentações no "Fantástico", naturalmente formou-se o conceito de que todas as minhas recomendações para economizar seriam fruto de uma conduta mesquinha no trato cotidiano, típica de um pão duro mão-de-vaca que não abre a mão nem para dar propinas pedidas por políticos que oferecem vantagens.
Também não é nem o caso, já que não sendo empreiteiro não estou sujeito a essas práticas tão comuns no mercado (a ponto de serem motivos de chantagem entre os pares no Congresso) e estou longe de não saber aproveitar a vida: viajo bastante, sempre às minhas custas sem alugar jatinhos com o dinheiro do povo...
O fato é que, ao sempre recomendar uma estruturação de um Orçamento Familiar enxuto com posterior obediência aos seus limites de despesas previstos, a família não deve gastar mais do que ganha, sob pena de se endividar ao entrar no cheque especial e no rotativo do cartão de crédito, ou pior ainda, cair nas armadilhas das financeiras-de-beira-de-rua. Assim, se não economizar não vai sobrar para guardar numa poupança.
Para economizar têm-se todas as técnicas já conhecidas que funcionam se forem adotadas. E o objetivo não é levar a poupança para o túmulo ou para deixar de herança. No túmulo não vai adiantar nada, pois duvido que lá em cima no céu haja corrupção como aqui e no inferno não vão aceitar moedas terrenas que possam estar bloqueadas por investigações da Polícia Federal ou que ainda não estejam liberadas pela nossa justiça comprada. E deixar de herança para filhos é trocar uma harmonia estável entre irmãos por uma provável briga eterna. Para filhos tem que dar é educação!
É natural e saudável, então, que o objetivo da poupança amealhada à custa de uma constante atenção aos gastos desnecessários ou sem controle, seja o de usufruir no lazer em atividades que levem ao prazer para toda Família, a qual pode assim relaxar e gozar os benefícios de uma grana poupada com sacrifício e trabalho. Não se economiza se não houver trabalho e pesquisa de preços no sentido de manter cotidiana atenção aos gastos e às negociações nas compras.
Muito bem! E os carros com troco na troca aonde é que entram? Ora, na avaliação de que um automóvel é um gerador de despesas que costuma ser instrumento de prazer e conforto para toda a família, até proporcionando viagens que dispensam o caos aéreo. Assim, quando se recomenda vender um carro usado (que dá muito mais despesas que um novo) para pagar uma dívida se está abrindo mão do prazer que ele pode proporcionar.
Porém, ao comprar um carro novo (com garantias de manutenção com prazos cada vez maiores por causa da concorrência), se restabelece a condição de conforto e prazer. E ao trocar taxas de juros absurdamente altas de mais de 10% ao mês (213,8% ao ano), que realimentam a bola de neve em que se encontra o devedor por taxas razoáveis no entorno de 1% ao mês (12,7% ao ano), cessa o estresse financeiro.
Fazendo as contas para a simulação feita na semana passada, podemos avaliar que se a dívida pendente fosse igual ao valor obtido na troca, de R$ 11.000,00, custaria cerca de R$ 1.100,00 por mês só de juros, sem amortizar nada, enquanto que o financiamento de R$ 24.000,00 do novo seria pago em 36 parcelas mensais R$ 797,14 ou de R$ 632,01 para 48 meses! De qualquer modo será sempre bom lembrar que quanto menor o prazo escolhido tanto menor será a quantidade de reais pagos como juros.
“Hay” que tomar muito cuidado com os juros, ainda mais com os juros compostos. Já dizia Einstein: “A força mais poderosa do Universo não é a da gravidade, é a dos juros compostos!”
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Pagando dívidas com troco na troca
A melhor dica para fazer sobrar dinheiro nas contas familiares e para fazer o salário ser maior do que o mês é tratar de estruturar um Orçamento Doméstico bem feito de modo a não se gastar mais do que se ganha. Eis que nos dias de hoje, com uma inflação sobre controle, até o Governo já tem seu Orçamento Governamental e consegue fazer acontecer o tal do Superávit, que é o saldo positivo referente a uma Receita maior que a Despesa.
Não é lá muita vantagem de vez que o Governo gasta muito em despesas correntes supérfluas e não faz os investimentos estruturais que o país tanto precisa. E também que aumenta a receita criando cada vez mais impostos, mentindo que é para fins sociais ou para a Saúde. Enfim não é “mais pior”, já que de fato não tem mais déficit operacional...
Mas nem por isso suas contas estão “numa boa”, porque ele, governo, quer dizer, nós, devemos muito, pois nossa dívida pública passa de Um Trilhão de Reais. E como é dívida, custa juros, donde haja grana para pagar juros sobre R$ 1.100.000.000.000,00. Vai daí que não há superávit que chegue e a divida cresce igual rotativo de cartão de crédito quando só se paga o mínimo! (Confesso que tive enorme dificuldade em escrever esse número que tem mais zeros que a população chinesa!).
Nas contas familiares é a mesma coisa: embora se consiga equilibrar o orçamento, muitas vezes existe uma dívida rolando e aumentando cada vez mais. Só se sai dessa bola de neve sem ir à falência vendendo um bem ou arranjando um dinheiro bem barato para diminuir o chamado “custo da dívida”. Foi agora identificada uma maneira “maneira” de se endividar mais para diminuir o tal custo da dívida!
Daí, não é atoa que o mercado de automóveis novos está superaquecido: muita gente está correndo atrás de um carro novo para pagar dívidas! E como é a mágica? Bem, vamos mostrar facilmente com um exemplo simulado com números. Compro um carro zero de valor R$ 30.000,00 dando 20% de entrada (R$ 6.000,00) que será paga vendendo o meu carro usado para a Revendedora Autorizada, o qual foi avaliado em R$ 17.000,00. O saldo restante de 80% posso pagar em parcelas mensais que caibam no meu orçamento com juros de 1% ao mês ou menos, dependendo da promoção.
Fazendo as contas sobram R$ 11.000,00 na minha mão. (Em dinheiro vivo? Não! Não sou político, não preciso esconder nada, faço uma transferência bancária...). Pego essa grana que sobrou da transação (no bom sentido: transação real, com notas fiscais quentes, com carros que existem e sem a ajuda de lobistas) e pago minhas dívidas de cheques especiais e de rotativos de cartões de crédito, que têm juros escorchantes de mais de 10%/mês apesar da taxa Selic estar progressiva e felizmente caindo, agora no nível de 12% ao ano.
Nessa transação, em que não precisei pegar dinheiro emprestado com amigo, nem fui grampeado fazendo rachunchos escusos, fiz um grande negócio. Como hoje as taxas de aplicação estão bem mais baixas, as fábricas de automóveis, numa linda jogada de marketing estratégico, resolveram aplicar no financiamento de seus produtos. Assim, troquei juros de mais de 10%/mês por menos de 1%/mês, que são os juros subsidiados pelas fábricas para alavancar a venda de seus veículos.
Foi uma troca com vários trocos. Fiquei com um carro novo comprado com juros baixos e com garantia por um bom tempo, donde vai dar muito menos despesas de manutenção. No entanto, é preciso atenção a dois aspectos importantes em relação a valores. Devemos ficar de olho no preço do automóvel novo, que deve ser pesquisado entre várias ofertas de revendas autorizadas, bem como no preço do carro usado que, se não for bem avaliado dentro das condições de mercado, pode ser negociado com outros interessados que paguem melhor preço.
Assim, como sabemos das coisas, não somos ingênuos (como alguns membros do Executivo que insistem fisiológica e convenientemente em aceitar mentiras e histórias fantasiosas) e o nosso dinheiro é ganho à custa de trabalho duro (após 146 dias de tunga tributária) tratamos de nos defender como é possível, pagando nossas dívidas com esse nosso dinheiro sem nos mirarmos nos maus exemplos que vêm de cima.
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O país da prosperidade autofágica
O instinto de auto-preservação é natural e humano e está por trás de todas as nossas ações no cotidiano. Antes de tudo é, no entanto, um instinto animal, e é aí que mora o perigo para a nossa sociedade, onde os seres racionais agem como irracionais.
E a comunidade, como um todo, como é que fica? Não fica! Só quem leva vantagem, naquele tradicional estilo tupiniquim, é o grupelho que está por cima da carne-seca, digo, da carne fraca, e que continua pensando que “manda quem pode e obedece quem tem juízo”.
O problema é que controlar uma massa pobre, que não mama nessas tetas, reclamando, invadindo e assaltando, está ficando cada vez mais difícil. E como o significado de Justiça mudou de conotação por aqui, e distanciou-se dos juízes de toga mais do que dos juízes de futebol, não vamos ter para quem apelar na hora em que a coisa ficar incontrolável, de vez que os mandatários estarão cuidando dos “seus”, isto é, dos “deles”, ao invés dos interesses da nação.
Vi na TV, no “Entre Aspas” da Globo News, que em 40 anos de atuação o STF recebeu 137 denúncias sobre parlamentares e não condenou nem unzinho! E agora se está manobrando para mandar o caso do melhor administrador da pecuária brasileira, aquele que consegue inacreditáveis 60% ao ano de rentabilidade, para ser “não-julgado” lá!
Porém, não vamos nós fazer injustiça, pois não são só os mandatários da coisa pública que se “defendem”, mas, por essa questão de cultura, são todos os que a cada instante se vêem ameaçados de perder seus privilégios, pois, até mesmo quando não os têm porque acham que ainda os vão ter, surgindo daí o corporativismo de auto-preservação futura. Nesses termos, não há país que agüente, não há economia que tenha fundos e não há bolso de pobre onde sobre “algum”.
Os privilégios grassam entre apadrinhados com empregos sendo criados ao léu, sob os critérios analisados em nosso artigo de 14/06, e o resultado aí está proclamado: dada a incompetência reinante, a nossa prosperidade é autofágica! Cuidemo-nos todos, pois se houver crescimento o caos generalizado vai se instalar!
Em todas as ações a primeira providência dos mandatários do povo é se cuidarem para não abrir mão de nenhum de seus privilégios, hoje adequadamente identificados como “abusos adquiridos”. Para quem está dentro dessa mamata é bom lembrar a acepção de “privilégio” que vale para o caso, e que está no dicionário Houaiss: “regalia para alguém ou um grupo em detrimento da maioria”.
Entre outras definições, é revoltante ler a conotação jurídica e constatar a parcialidade dos que deveriam ser justos: ”situação de superioridade (!) amparada por lei ou costumes (!), decorrente da distribuição desigual do poder político e/ou econômico”!
Finalmente, e etimologicamente, do latim privilegium, temos: ”lei excepcional concernente a um particular ou a poucas pessoas; favor; graça”. Deu para notar aonde é que nós estamos metidos? “Nós, quem?” perguntaria alguém da massa, do povo, dos não-privilegiados, pensando em criar o MSP, Movimento dos Sem-Privilégios...
Aliás, esse movimento deveria ser efetivado para espernear, reclamar, botar a boca no mundo e exigir um plebiscito para enfiar os privilegiados auto preservados, numa saia justa, de tal modo que houvesse uma socialização dos prejuízos. Isso mesmo: prejuízos, pois se quer manter distribuindo um dinheiro que não existe, o qual para ser criado terá que sair do nosso bolso, com os impostos pagos pelo bolso mirrado da esmagadora maioria do pobre-povo-pobre desta nação com fome não zerada.
Zerado está o lucro dos pequenos empresários extenuados pela carga de impostos, que pelo que se esta vendo, mais uma vez, será aumentada pela pseudo-fajuta-discricionária-tendenciosa reforma tributária que se avizinha para privilegiar os governos municipais, estaduais e o federal.
No início do Plano Real a carga tributária era de 24% do PIB e agora, com uma ajudazinha das propostas de reformas pretende beirar os 40%! E não é que, com a mais deslavada cara-de-pau, os políticos estão tratando da distribuição para municípios de parte da CPMF que tungaram da nossa combalida Saúde? Isso porque, como vimos nesta semana no Jornal Nacional, o nosso atendimento hospitalar parece que está beirando a perfeição...
O país, sempre a reboque dos grandes, continua pensando com as teorias econômicas dos outros e só está apostando suas fichas na redução das taxas de juros, achando que só isso vai resolver o baixo crescimento e a incompetência reinantes.
Precisa é abrir o bolso dos privilegiados, soltar a grana após baixar os juros-- já que vai sobrar dinheiro dos juros pagos a menor-- e estimular a Economia com obras de infra-estrutura, dar a partida com coragem para reduzir impostos e deixar o país investir e produzir.